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Crédito Fundiário fomenta novos produtores da agricultura familiar a ter a própria terra em Colorado

Novo núcleo de assentamento com 107 propriedades rurais da agricultura familiar será implantado em Colorado do Oeste por meio de incentivo do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF).

Os contratos foram assinados na sexta-feira (15) durante a Exposição Agropecuária de Colorado do Oeste (Expocol) com objetivo de incrementar o setor produtivo familiar no Sul de Rondônia.

O casal Vanilda Gomes Carvalho e José Rosa Souza são nascidos e criados na zona rural. Pela primeira vez eles terão oportunidade de ter o próprio pedaço de chão, a ser adquirido por meio do crédito fundiário.

“É a realização de um sonho ter a terra e viver da agricultura própria”, narra José Rosa, que desde o casamento, há 15 anos, trabalha como diarista em propriedades rurais de terceiros.

O PNCF é uma política pública complementar à reforma agrária que financia a aquisição de terras. O objetivo é contribuir para a redução da pobreza rural e melhoria da qualidade de vida das famílias em parceria com o governo de Rondônia e Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetagro).

As famílias contempladas em Colorado do Oeste terão recursos de R$ 80 mil para aquisição de propriedade rural de 3,5 alqueires cada, onde devem priorizar os cultivos de mandioca e urucum, culturas em ascensão na região.

A maior parte do dinheiro deve ser aplicada na aquisição do imóvel rural e parte dele, pouco mais de R$ 7 mil, deverá ser gasto com assistência técnica no projeto de desenvolvimento do plantio, boas práticas e comercialização da produção. A carência é de três anos para começar a pagar e o prazo é de 17 anos para saldar o crédito fundiário. A instituição financiadora é o banco do Brasil.

“É uma luta que está se concretizando e que só foi possível pela parceria dos governos”, declarou o presidente da Associação Rural Nova Canaã, Natanael da Rocha, um dos responsáveis em organizar as famílias para a formação do núcleo de assentamento da agricultura familiar em Colorado do Oeste.

Aos 22 anos, Bruno Rafael Santos Borges integra os 107 beneficiados de Colorado do Oeste. “Esta oportunidade é fantástica, pois termino meu curso de Engenharia Agronômica esse ano e já começo a trabalhar por conta própria”, anima-se Bruno Borges, que pretende colocar em prática o aprendizado acadêmico.

MULHERES NO COMANDO

A responsável pelo crédito fundiário no governo federal, Raquel Santori, ficou animada com o interesse das mulheres da agricultura familiar. “Das 107 famílias contempladas em Colorado do Oeste, 60% serão comandadas por mulheres. É um orgulho ver de perto o desenvolvimento deste projeto de vida dessas guerreiras”,

Disse Santori, anunciando que o governo federal dispõe de mais recursos no orçamento e em caixa para motivar a criação de mais assentamentos desta natureza. “Mulheres, jovens e homens precisam de terra para trabalhar”, reforçou Santori.

Cleidna de Oliveira é casada, tem duas filhas e responde pela manutenção da casa. “Com essa terra nossa vida vai melhorar. Vou buscar apoio na Emater para abrir a agroindústria de processamento de mandioca”, disse a chefe de família, que mora de favor na zona rural há 10 quilômetros do centro da cidade.

Para o governador Daniel Pereira, a assinatura dos contratos é uma data histórica para Rondônia, considerando que o último assentamento rural ocorrido no Sul do estado foi no fim da década de 1970, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

“A parte que nos compete nessa parceria com o governo federal e a Fetagro é alinhar ações e envolver a Secretaria de Agricultura (Seagri) e a Emater no sentido de alavancar a regularização fundiária da área e apoiar a agricultura familiar, especialmente na assistência técnica e abertura de agroindústrias”, disse. Dentro desta parceria outro núcleo de assentamento está em concretização em Rolim de Moura, na Zona da Mata.

O secretário estadual de Agricultura, José Paulo Gonçalves, revigorou a ordem do governador e assumiu compromisso. “A Emater tem a responsabilidade de levar todo apoio logístico e técnico na execução do projeto de assentamento e pôr em prática as agroindústrias como fomentador de ações a esses beneficiados”.

Fonte: Paulo Sérgio