O garimpo volta à ativa, enquanto Rondônia perde todas as suas riquezas

O ano começa com algumas balsas e dragas, novamente, no leito do rio Madeira, à cata de ouro. Os riscos são imensos, inclusive pelo combate das forças policiais e ambientais, mas a verdade é que o ouro é tão abundante no Madeirão, que os garimpeiros preferem enfrentar todos os perigos e a força da lei, do que abrir mão de se manterem onde estão.

O ouro é abundante no Madeira, um dos rios mais auríferos do mundo e com uma pureza rara. Num mês inteiro, usando tecnologia avançada, mas também métodos antiquados (até o terrível mercúrio, um crime contra o ambiente e a vida), uma equipe em uma draga pode tirar até 40 quilos de ouro. Traduzindo para o vil metal, ou seja, em dinheiro, isso daria nada menos do que 5 milhões e 280 mil reais.

Como não há controle, pela proibição, não se presta contas de nada ao Estado. O valor conseguido é líquido. Ninguém, a não ser os garimpeiros que enfrentam tudo e correm risco de vida todos os dias, amealham qualquer vantagem com o ouro retirado do Madeira ou de qualquer outro rio da região ou do Brasil.

O Estado prefere abrir mão de uma fortuna incalculável, para manter o discurso de que a questão ambiental é a mais importante de todas. Enquanto isso, garimpeiros ilegais e contrabandistas que compram nossas riquezas, fazem fortunas, deixando-nos apenas o que de pior existe nesta atividade.

É uma legislação burra, que atende interesses de entidades e instituições internacionais, e, ao que parece, não há, num futuro próximo, qualquer solução para essas perdas imensas.

Num sonho de mundo ideal: se fosse controlado pelo Estado, que teria que investir em segurança, proteção ambiental (proibição total do uso do mercúrio, por exemplo) e acabar com a marginalidade que ronda esse tipo de atividade, teríamos um faturamento milionário para os cofres da União, do Estado e dos Municípios.

Somando-se resultados de extração apenas em termos de ouro no Madeira e dos diamantes de Roosevelt, ambos totalmente cuidados e controlados pelo Estado, Rondônia se tornaria, em pouco tempo, a mais rica unidade da federação brasileira. E com os tributos, impostos e taxas, abarrotaríamos o caixa da União, reequilibrando as finanças do país.

Alguém aí acha exagero? Se acha, basta se informar sobre o volume de ouro retirado dos nossos rios apenas da última década e no volume de diamantes contrabandeados de Roosevelt, para se ter uma pálida ideia do que poderíamos ter ganho.

Infelizmente, não é o bom senso que domina governantes e não são os maiores interesses da população brasileira, que é dona das decisões sobre este tema. Vamos continuar sendo bilionários em riquezas naturais, mas sem poder usufruir delas.  Não é lamentável?

Fonte: Rondoniadinamica